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A Família Martin, pais santos e filhos santos

Para nós católicos, o conceito de família vai muito além do mero e natural amor humano. Através do sacramento do Matrimônio, ela é o primeiro “catecismo” onde as almas batizadas conhecem os fundamentos da fé, e no convívio de um lar verdadeiramente cristão a caridade ensinada pelos Evangelhos exala um suave perfume.

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Do casamento de Luís Martin e Zélia Guérin – 13 de julho de 1858 – floresceram nove lírios de alva inocência. Quatro deles, o Senhor os c olheu na tenra infância, os outros cinco haveriam de trilhar a vida religiosa, entre esses, a jovem santa Teresinha do Menino Jesus, consagrada a Deus aos 15 anos, como carmelita descalça.

“Abri as Escrituras e ali vereis que, quando os pais foram santos, também o foram os filhos”.

Bem se aplica à Família Martin esta sábia sentença do Santo Cura D´Ars. Assim sucedeu com esse virtuoso casal, elevado a glória dos altares em 2015: adornaram o firmamento da Igreja com luminosas e cândidas estrelas. Com um prodigioso zelo, Luís e Zélia custodiavam a inocência de suas cinco filhas – Maria Luísa, Paulina, Leônia, Celina e Teresinha – mantendo sempre no lar um ambiente intensamente cristão.

Sirva de exemplo um trecho das memórias de Paulina (mais tarde Madre Inês de Jesus, religiosa carmelita como Teresa). Conta-nos ela, enternecida, a respeito de sua querida mãe: “Quando pequenina, mamãe punha-me sobre seus joelhos e contava-me histórias da vida dos Santos. Certa vez, disse-me que no Céu somente as virgens seguiriam por toda parte Jesus, sob a forma de Cordeiro sem mancha; seriam coroadas de rosas brancas e cantariam um cântico que outros não poderiam cantar. Eu lhe disse, então, que haveria de ser virgem, com uma bela coroa branca, e perguntei-lhe de qual cor seria a sua, pois ela me fizera notar que as pessoas casadas não teriam coroa branca. Respondeu-me que seria, sem dúvida, uma coroa de rosas vermelhas.”

A respeito do Sr. Luís Martin, podemos recolher abundantes testemunhos de sua “rainhazinha”, como ele chamava a encantadora Teresa, a quem amava com especial ternura por ser a mais nova, órfã de mãe já nos primeiros anos de infância. Na verdade, Teresinha aprendeu a amar a Igreja sentada no colo de seu “rei”. Conta-nos ela em suas memórias, a “História de uma Alma”, seus encantos com seu amado pai: Aos domingos, na Missa, “quando o pregador falava de Santa Teresa, papai inclinava-se para mim, dizendo baixinho: ‘Escuta, minha rainhazinha, ele fala de tua santa padroeira´. Eu escutava, com efeito, mas olhava mais vezes para papai que para o pregador. Sua bela fisionomia dizia-me tantas coisas! Por vezes, seus olhos se enchiam de lágrimas, as quais ele em vão se esforçava por reter; não parecia mais ser da terra, de tal modo sua alma gostava de mergulhar nas verdades eternas.”

Bem sabia o Sr. Martin que o exemplo vivo dos pais é insubstituível na educação dos filhos nas vias da santificação. Estimular o amor a Deus, a frequência aos Sacramentos, a proximidade espiritual com a Igreja, é um meio pelo qual os progenitores exercem sobre a prole seu sacerdócio real, recebido no Batismo. Desta sorte, deitam fundo no coração dos filhos a vivência da espiritualidade cristã, gravando em suas almas uma marca que nem o tempo nem as circunstâncias da vida poderão apagar.

Descobrir os pequenos defeitos dos filhos e os ir corrigindo, estimular suas boas aspirações de alma, em suma, ensinar com empenho, delicadeza e tato o caminho da perfeição – é esta a verdadeira obra de pais cristãos. Nos “Manuscritos Autobiográficos”, Santa Teresinha dá testemunho de como sua querida mãe e seu “Rei” tiveram essa especial dedicação por sua alma: “Com uma natureza como a minha, se tivesse sido educada por pais sem virtudes, ter-me-ia tornado bem má, talvez me perdendo. Mas Jesus velava por mim, Ele queria que tudo revertesse em meu bem, mesmo os meus defeitos, os quais, cedo reprimidos, me serviriam para adiantar-me na perfeição”.

Edificados por um tão claro exemplo como o da família Martin, esperamos que todos os lares aos quais chegue este artigo possam deleitar-se com sua leitura e deixar-se envolver por este suave aroma do amor familiar católico.

Seguir o caminho trilhado por Luís e Zélia Martin, longe de ser algo impossível, está ao alcance de todos os casais que queiram abrir-se à luz da Igreja e à mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que o exemplo do casal Martin e suas filhas sirva de estímulo às famílias do mundo, para que abram seus ouvidos ao palpitar da Igreja, ponham mãos à obra e saibam dar o testemunho da grande alegria e felicidade de viver em família com Cristo e Maria.

 

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