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Nascido em Bucchianico, Itália, em 1550, teve a infância marcada pela piedosa formação de
sua mãe, Camila Compellis. Acostumada ao governo da casa, devido às longas ausências do
marido, Giovanni de Léllis, grande militar, ela sabia harmonizar a disciplina e a bondade na
educação do filho.
Dotado de um caráter impulsivo e forte, o menino sentiu-se atraído desde pequeno pelo estilo
aventureiro da vida do pai, capitão famoso por haver servido a vários reinos da Europa. Aos 17
anos, Camilo dirigiu-se a Veneza a fim de alistar-se na luta contra os corsários turcos.
Foi então que encontrou-se com seu pai que também decidira lutar em Veneza. Mas, já idoso,
Giovanni de Léllis foi tomado por uma grave doença e faleceu nos braços do filho. Alguns anos
depois sua mãe também falecera e Camilo deixou- se arrastar pelos vícios do jogo e da bebida
e logo tornou-se um vagabundo e passou a viver do dinheiro que ganhava nas tabernas.
Por esta época, começou a sentir uma profunda dor na perna, na qual surgira uma chaga
misteriosa que o acompanhou durante toda a vida e tornou-se um fator decisivo para sua
conversão. Dela foi se tratar no conhecido hospital São Tiago dos Incuráveis, em Roma. Sem
recursos para pagar as despesas, ofereceu seus préstimos como criado e ali teve o primeiro
contato com o mundo dos enfermos. Contudo, acabou sendo expulso alguns meses mais
tarde, devido a seu difícil temperamento.
Parcialmente curado, voltou a alistar-se como soldado e participou ainda de combates na
Tunísia. No regresso para terras italianas, uma violenta tempestade surpreendeu sua
embarcação perto de Nápoles. Ante o iminente risco de morte, fez o voto de vestir o hábito de
São Francisco de Assis caso escapasse com vida. Passado o perigo, esqueceu-se da promessa,
recaiu em seus inveterados vícios e seguiu perambulando pela Itália.
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Rendido ao amor infinito de Jesus
Esbanjou no jogo todos os seus bens e ficou reduzido a pedir esmolas às portas da catedral da
Manfredonia. Um caridoso ancião, chamado Antônio di Nicastro, compadeceu-se dele e
ofereceu-lhe o trabalho de operário no convento dos capuchinhos, onde se realizavam
algumas obras.
Certa vez o enviaram a um convento vizinho para buscar certa quantidade de provisões
recebidas de esmola. Caminhava ele ao lado da mula de carga do convento e esta empacou de
repente. Não conseguindo fazer o animal andar, Camillo começou a berrar com a pobre besta,
dizendo-lhe grandes desaforos, como se ela pudesse entender algo. Tudo em vão…
Foi quando percebeu que da mesma forma tinha procedido ele mesmo ao longo de sua vida:
de nada lhe adiantaram os ensinamentos religiosos recebidos de sua extremosa mãe, a
sacudida na consciência em meio à tempestade ou a bondade do frei guardião. Assim como a
mula se obstinava em permanecer imóvel, ele teimava em não se emendar!

Caiu de joelhos no meio da estrada, tirou do bolso um Crucifixo que sempre levava consigo, e,
com lágrimas de arrependimento, rendeu-se ao amor infinito de Jesus.
Havia encontrado sua vocação!
De volta ao convento, transformado, pediu admissão na Ordem e tornou-se noviço capuchinho
com o nome de frei Cristóvão. Seus irmãos de hábito o chamavam de “frei Humilde”, por seu
empenho em disputar o último lugar, ser o servo de todos e ocupar- se dos serviços mais
penosos e repugnantes. No entanto, a chaga de sua perna se agravava com o roçar do rústico
tecido do hábito, e viu-se ele forçado a regressar ao hospital. Aparentemente recuperado,
regressou ao convento capuchinho e retomou a vida comunitária, mas a úlcera reapareceu
com mais ímpeto, obrigando-o a desligar-se da Ordem.
Pela terceira vez internou-se no hospital São Tiago, em fins de 1579 e, desde então, até o dia
de sua morte — 35 anos depois —, “toda a sua existência transcorrerá nos hospitais sem
outro afã e outro desejo que o de exercitar sua ardente caridade com os pobres enfermos”.
Um prodígio veio confirmar o acerto desta escolha. Poderíamos dizer que São Camilo exercia a
“Pastoral da Saúde”! Passara longas horas animando um pobre homem, a quem seria
amputada uma perna no dia seguinte. Quando o deixou, ele estava tão bem disposto que
adormeceu tranquilo. Na hora marcada para a amputação, os cirurgiões constataram que a
perna inexplicavelmente “estava curada de forma inesperada”.
Foi quando despontou em sua alma o ardente desejo de congregar homens dispostos a dar
assistência corporal e espiritual aos doentes, por puro amor a Deus, conscientes de que servi-
los não era senão servir ao Divino Salvador: estive “enfermo e Me visitastes” (Mt 25, 36).
Havia encontrado sua vocação!

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Fundação dos Camilianos
Graças à força de seu bom exemplo e à crescente fama de suas virtudes, Camillo conseguiu dar
início a uma pia associação com o objetivo de prestar assistência aos doentes. Os padres
jesuítas encaminhavam-lhe jovens nos quais discerniam vocação para este serviço. O Santo os
acolhia de braços abertos e os estimulava: “Irmãos, considerai que os enfermos são a pupila e
o coração de Deus e o que fazeis para estes pobrezinhos é feito para o próprio Deus”.
A Origem da Pastoral dos Enfermos
São Camilo e seus religiosos exerciam suas atividades sobretudo no Hospital do Espírito Santo,
próximo ao Vaticano. O Santo Fundador também estendeu sua benéfica atuação junto aos
encarcerados e aos moribundos. Por mais fatigado que estivesse, seu ardor nunca diminuía e
sua constância era o maior incentivo para os outros darem mais de si. A valentia destes heróis
da caridade brilhou mais ainda por ocasião das pestes e epidemias que assolavam aquelas
regiões. “Sem vacilar um momento, vendo a morte dizimar suas fileiras, dedicavam-se em
esgotantes jornadas a cuidar dos atacados pela peste”.
Morte de São Camillo
Deus não tardou a chamá-lo. Em meados de 1614, aos 64 anos de idade, viu-se obrigado a ficar
de cama para recompor um pouco sua saúde minada por décadas de intensas atividades.

Entretanto, tomado de saudades de seus queridos enfermos do hospital do Espírito Santo, e
pressentindo que morreria em breve, desejava vê-los ainda uma vez.
Quando o médico permitiu-lhe sair do quarto para respirar ar fresco, mandou seus filhos
espirituais levarem-no ao hospital, onde, emocionado, percorreu as inúmeras fileiras de macas
e leitos, despedindo-se de cada um. Todos choravam ao sentir seu carinho e paternalidade.
Após uma longa e dolorosa agonia, na noite de 14 de julho exalou o último suspiro.
Rapidamente espalhou-se pela Cidade Eterna a notícia de seu falecimento e formou-se diante
do convento uma multidão, desejosa de prestar-lhe uma última homenagem, de pedir uma
graça, uma cura, uma conversão. Tal foi o alvoroço que a autoridade pública precisou intervir
para organizar as filas e manter a ordem.
Bento XIV o canonizou em 1746, e Leão XIII, em 1886, o declarou Padroeiro dos Enfermos e
dos Hospitais, junto com São João de Deus.
Rezemos então pelos Enfermos de nossas famílias para que Deus, por intercessão de São
Camillo de Léllis seja curados de corpo e de alma.

>>>> Rezem por mim <<<<

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