Advento, Tempo de espera

O Tempo do Advento é um período litúrgico da Igreja, é o tempo destinado para a preparação da celebração do Natal de Nosso Senhor e Redentor. 

Advento vem do latim “ad-venio”, que quer dizer “vir, chegar”. Começa com o domingo mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro) e dura quatro semanas. Este tempo litúrgico tem seu início quatro domingos antes de 25 de dezembro. Ele marca o início do novo Ano Litúrgico católico.

Divisão

O Tempo do Advento está dividido em duas partes: as primeiras duas semanas servem para meditar sobre a vinda do Senhor quando ocorrer o fim do mundo. As duas semanas seguintes servem para refletir concretamente sobre o nascimento de Jesus e sua chegada na história da humanidade com a chegada do Santo Natal.

“O Advento é, por excelência, o tempo da esperança. Cada ano, esta atitude fundamental do espírito desperta no coração dos cristãos que, enquanto se preparam para celebrar a grande festa do nascimento de Cristo Salvador, reavivam a expectativa da sua vinda gloriosa no fim dos tempos.” (Bento XVI)

Liturgia

Nas Igreja e nas casas de famílias católicas são colocadas as coroas do Advento sendo acesas uma vela cada domingo.

A cor litúrgica usada nos paramentos é o roxo que deseja expressar assim, simbolicamente, a preparação e a penitência. Excepcionalmente, no terceiro domingo, chamado de Domingo Gaudete, ou da alegria, a cor que se usa é a cor rosa.

Dentro da liturgia do Advento, para tornar mais sensível esta dupla preparação de espera, durante o Advento, alguns elementos festivos são omitidos como, por exemplo, o hino do Glória. Com esses atos simbólicos a Igreja procura mostrar que, enquanto dura a peregrinação do homem, falta-lhe algo para sua completa alegria.

Quando o Nosso Senhor e Redentor estiver presente no meio de seu povo, a Igreja terá chegado à sua festa completa, representada pela Solenidade do Natal.

A Expectação

A Igreja também celebra neste período a Expectação da Santíssima Virgem, que nos recorda durante o advento a espera (expectação) de Maria para o momento do parto de seu Filho.

É uma festa genuinamente espanhola, estabelecida provavelmente por Santo Ildefonso, que ao celebrar a memória de Nossa Senhora durante a meia noite naquele período do advento, mereceu ser revestido pela Mãe da Deus de uma preciosa casula que os próprios Anjos trouxeram do céu.

Exemplo para nós

Maria é exemplo de espera para cada um de seus filhos. Se penetrarmos no mais profundo da intimidade entre Maria e seu Filho nós aprenderemos o que é o recolhimento verdadeiro para se concentrar na oração, na conversa com Deus. Aprenderemos também o puro fervor e o amor, com os quais vivia unicamente para Jesus.

Com uma vida interior tão intensa, guardava todas as coisas e as meditava em seu coração. Exteriormente, ninguém suspeitava o que se ia passando em seu interior, nem mesmo São José! Ela guardava para si o tesouro. Nem ambição, desejo de louvores, ou amor próprio levaram a falar às pessoas o seu segredo divino.

Que humildade! Quantas vezes o nosso merecimento se evapora porque desejamos os aplausos dos outros, os olhares dos homens pois Deus não nos basta…

Jesus em Maria

Pensemos também na vida de Jesus, oculta e escondida como num sacrário, no seio de Maria. Ele se fez débil e frágil, tudo espera e tudo recebe de sua Mãe, e, entretanto, dali mesmo Ele governava o universo, era a alegria dos Anjos e, sobretudo, dia a dia, santificava com sua presença sua querida Mãe.

A nossa vida

Assim deve ser a nossa vida, isto sim, é viver para Jesus, dando tudo a Ele como Maria fez. Podemos fazer um exame de consciência para o início deste advento. Desenvolvemos em nosso interior o mesmo amor e fervor de Nossa Senhora? 

Nossas comunhões, como são? Por que este contato com Ele no sacramento não produz em mim o mesmo que fez na Virgem Maria? É porque devemos vigiar nossos sentidos, nossas forças, fazer penitência e concentrar nosso amor inteiramente nEle, Jesus.

Conclusão

O Papa Bento XVI na abertura do advento de 2007 encerrou sua homilia com estas palavras: Santo Agostinho escrevia: “Poderíamos pensar que a vossa Palavra se tinha afastado da união com o homem e desesperado de nos salvar, se não se tivesse feito homem e habitado entre nós" (Conf. X, 43, 69, cit. in Spe salvi, 29). Então, deixemo-nos orientar por Aquela que trouxe no coração e no ventre o Verbo encarnado. Ó Maria, Virgem da expectativa e Mãe da esperança, reaviva em toda a Igreja o espírito do Advento, para que a humanidade inteira volte a pôr-se a caminho rumo a Belém, onde veio e onde virá de novo para nos visitar o Sol que nasce do alto (cf. Lc 1, 78), Cristo nosso Deus. Amém. (http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20071201_vespri-avvento.html)