Batismo do Senhor

Batismo do Senhor

Logo após as alegrias do Natal e da Epifania do Senhor, a Igreja nos convida à celebração do Batismo do Senhor. 

Naquele tempo, João Batista pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”. (Mc 1,7-11)

No ano de 2011 o Papa Bento XVI, celebrou na Capela Sistina, nesta festa, o batismo de 21 crianças, filhos e filhas de funcionários do Vaticano. Como pai comum de todos os católicos, ele mostrou aos presentes a importância do ato que ali se passava, bem como a beleza do fato que Evangelho narra e naquele dia era celebrado.

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O Batismo de João

Embora se chamasse batismo, ele não tinha o valor sacramental do rito que hoje celebramos; com efeito, como bem sabeis, é com a sua morte e ressurreição que Jesus institui os Sacramentos e faz nascer a Igreja. O batismo administrado por João era principalmente um ato penitencial. Um gesto que convidava à humildade diante de Deus, para um novo início: mergulhando na água, o penitente reconhecia que tinha pecado. Ele implorava de Deus a purificação das próprias culpas e era convidado a mudar os comportamentos equívocos.

Por isso, quando João Batista vê Jesus que, em fila com os pecadores, vem para ser batizado, fica admirado; reconhecendo nele o Messias, o Santo de Deus, Aquele que é sem pecado, João manifesta o seu desconcerto: ele mesmo, o batista, teria desejado receber o batismo de Jesus. Mas Jesus exorta-o a não opor resistência, a aceitar o cumprimento de tal gesto, para realizar o que é conveniente para «cumprir toda a justiça».

O Batismo de Jesus

O batismo de Jesus, que hoje recordamos, insere-se nesta lógica da humildade: é o gesto daquele que quer tornar-se um de nós, que se põe em fila juntamente com os pecadores. Ele, que é sem pecado, deixa-se tratar como pecado (cf. 2 Cor 5, 21), para carregar nos seus ombros o peso da culpa da humanidade inteira.

A sua humildade é definida pelo desejo de estabelecer uma comunhão plena com a humanidade. Pelo desejo de realizar uma verdadeira solidariedade com o homem e com a sua condição. O gesto de Jesus antecipa a Cruz, a aceitação da morte pelos pecados do homem.

Este gesto de humilhação, com que Jesus quer identificar-se totalmente com o desígnio de amor do Pai, manifesta a plena sintonia de vontade e de intenções que existe entre as Pessoas da Santíssima Trindade.

Mediante este gesto de amor, o Espírito de Deus manifesta-se como pomba e desce sobre Ele, e naquele momento o amor que une Jesus ao Pai é testemunhado — a quantos assistem ao batismo — por uma voz vinda do alto, que todos ouvem. O Pai manifesta abertamente aos homens a profunda comunhão que o une ao Filho: a voz que ressoa do alto testemunha que Jesus é totalmente obediente ao Pai, e que esta obediência constitui a expressão do amor que os une entre si. Por isso, o Pai põe a sua complacência em Jesus, porque reconhece no agir do Filho o desejo de cumprir em tudo a sua vontade: «Eis o meu Filho muito amado, no Qual pus toda a Minha complacência» (Mt 3, 17). E esta palavra do Pai alude também, antecipadamente, à vitória da ressurreição.

Importância do Batismo

Amados pais, o Batismo que hoje vós pedis para os vossos filhos insere-os neste intercâmbio de amor recíproco que existe em Deus, entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo; mediante este gesto que estou prestes a cumprir, derrama-se sobre eles o amor de Deus, inundando-os com os seus dons.

Através do banho batismal, os vossos filhos são inseridos na própria vida de Jesus. Ele que morreu na cruz para nos libertar do pecado e, ressuscitando, venceu a morte. Por isso, imersos espiritualmente na sua morte e ressurreição, eles são libertados do pecado original e, neles, tem início a vida da graça, que é a própria vida de Jesus ressuscitado. “Ele — afirma São Paulo — entregou-se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, de nos purificar e de nos constituir como seu povo predileto, zeloso na prática do bem” (Tt 2, 14).

Com o batismo, conhecemos o amor de Deus

Queridos amigos, doando-nos a fé, o Senhor concedeu-nos o que existe de mais precioso na vida, ou seja, o motivo mais verdadeiro e mais belo pelo qual viver: é pela graça que cremos em Deus, que conhecemos o seu amor, com o qual Ele deseja salvar-nos e libertar-nos do mal.

Agora vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, pedis à Igreja que receba no seu seio estas crianças, que lhes conceda o Batismo; e formulais este pedido em função da dádiva da fé que vós mesmos, por vossa vez, recebestes.

Juntamente com o profeta Isaías, cada cristão pode repetir: “O Senhor me formou desde o ventre materno, para ser seu servo” (cf. 49, 5); assim, prezados pais, os vossos filhos constituem um dom inestimável do Senhor. Ele reservou para Si mesmo o coração deles, para o poder cumular com o seu amor.

Através do sacramento do Batismo, hoje consagra-os e chama-os a seguir Jesus, mediante o cumprimento da sua vocação pessoal, em conformidade com aquele particular desígnio de amor que o Pai tem em mente para cada um deles; meta desta peregrinação terrena será a plena comunhão com Ele, na felicidade eterna.

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 A importância da Igreja

A Igreja, que os recebe entre os seus filhos, deve assumir a tarefa, juntamente com os pais e os padrinhos, de os acompanhar ao longo deste caminho. A colaboração entre comunidade cristã e família é mais necessária do que nunca no atual contexto social. A instituição familiar é ameaçada de vários lados e se encontra a enfrentar não poucas dificuldades na sua missão de educar na fé.

A falta de referências culturais estáveis e a rápida transformação à qual a sociedade é submetida continuamente tornam deveras árduo o compromisso educativo. Por isso, é necessário que as paróquias se empenhem cada vez mais na assistência às famílias, pequenas Igrejas domésticas, na sua tarefa de transmissão da fé.

Caríssimos pais, convosco dou graças ao Senhor pelo dom do Batismo destes vossos filhinhos; ao elevar a nossa oração por eles, invoquemos a abundante dádiva do Espírito Santo, que hoje os consagra à imagem de Cristo sacerdote, rei e profeta.

Confiando-os à intercessão materna de Maria Santíssima, peçamos pela sua vida e saúde, a fim de que possam crescer a amadurecer na fé e, com a sua vida, dar frutos de santidade e de amor. Amém!

Fonte: Bento XVI, homilia na festa do Batismo do Senhor, Capela Sistina, Domingo, 9 de Janeiro de 2011


Espero este artigo Batismo do Senhor tenha lhe feito um bem espiritual. Esta é nossa missão. Divulgar a doutrina católica a todas as famílias do Brasil.

Mas precisamos de você1 Ajude-nos a continuar nosso trabalho de preservação das famílias brasileiras.