Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Imaculada Conceição

São João Paulo II, certamente grande devoto da Santíssima Virgem, na Solenidade da Imaculada Conceição de 1981, nos deixou esta mensagem: “Nada é impossível a Deus…” (Lc 1, 37).

A Igreja, na liturgia de hoje, recorre a estas palavras, desejando honrar o Mistério da Imaculada Conceição de Maria. Recorre às palavras da Anunciação, às palavras de Gabriel, cujo nome quer dizer: “a minha força é Deus”.

Na verdade, não é a omnipotência de Deus, o infinito poder do Seu amor e da Sua graça, que são anunciados por este singular mensageiro? E juntamente com ele anuncia-os num certo sentido a Igreja inteira. Uma contínua escuta das palavras do seu anúncio e repetindo-as muitas vezes: “Nada é impossível a Deus”.

Somente com aquela omnipotência que ama, somente com o infinito poder do amor pode explicar-se o fato de Deus-Verbo, Deus Filho se fazer homem. Só com a omnipotência que ama, só com o inescrutável poder do amor de Deus pode explicar-se o fato de que a Virgem — filha de pais humanos e de gerações humanas — se torna a Mãe de Deus.

Entregue à vontade de Deus

Contudo, este fato para Ela mesma era incompreensível: “Como será isso, se eu não conheço homem?” (Lc 1, 34).

E provavelmente era difícil de ser compreendido pelo povo, do qual era filha — o povo que aliás através de toda a sua história esperava precisamente só isto: a vinda do Messias, e nisto via o objetivo principal da sua vocação, das suas provações e sofrimentos.

E este fato é difícil de ser compreendido por tantos homens e nações. Mesmo que aceitem a existência de Deus, ainda que recorram à Sua bondade e misericórdia.

Porém, “nada é impossível a Deus”!

Dado que a omnipotência do Eterno Pai e o infinito poder de amor que opera com a força do Espírito Santo fazem que o Filho de Deus se torne homem no seio da Virgem de Nazaré, então o mesmo poder em consideração dos méritos do Redentor, preserva a Sua Mãe da culpa do pecado original.

A mesma omnipotência, o mesmo poder de amor e a mesma força do Espírito Santo fazem que Ela só, e entre todos os filhos e as filhas de Adão, seja concebida e venha ao mundo “cheia de graça”.

Assim, também no momento da Anunciação a saudará Gabriel: “Ave Maria, ó cheia de graça” (Lc 1, 28).

De fato, Imaculada

Vimos hoje a este Santuário romano da Mãe de Deus (Basílica de Santa Maria Maior) (*), cheios de especial veneração pela Santíssima Trindade. Cheios assim de gratidão para com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, por estas “grandes coisas”, que a graça do Altíssimo fez desde o primeiro momento de vida da Virgem de Nazaré.

Este é, de fato, o ano em que, recordando depois de 1.600 anos a obra do I Concílio de Constantinopla. Lembramos também o 1.550º aniversário do Concílio de Éfeso.

Exatamente por este motivo na solenidade do Pentecostes reuniram-se os Bispos de todo o globo terrestre junto do túmulo de São Pedro para venerar o Espírito Santo. Depois, na tarde do mesmo dia, vieram aqui à Basílica mariana de Roma agradecer o Mistério da Encarnação, que é a obra suprema do Espírito Santo na história da salvação.

Deste modo foi venerado Aquele, que “por obra do Espírito Santo encarnou no seio da Virgem Maria e se fez homem” — e foi venerada Ela, a Virgem Mãe, que a Igreja desde os tempos do Concílio de Éfeso chama “Mãe de Deus” (Theotokos). Chamando assim a Maria, a Igreja professa a sua fé na maior obra salvífica, qual n’Ela e mediante Ela realizou o Espírito Santo. Nada é impossível a Deus!

Confiança na Imaculada

Não me foi concedido participar pessoalmente naquela histórica Solenidade. Tinha trabalhado, porém, com todo o coração para a preparar, dando-me conta que nela se devia exprimir não só a fé de dois milênios, mas também aquele particular diálogo de amor e de entrega, que a Igreja, em nossa época, mantém com o Espírito Santo mediante o Coração da Mãe de Deus. Este diálogo intensifica-se especialmente quando a Igreja e a humanidade. Atravessam duras experiências e provas, e também quando renasce nela a esperança de renovação e de paz.

De fato, ao correrem os difíceis anos da última guerra mundial. O Papa Pio XII consagrou todo o gênero humano ao Coração da Imaculada, e inserindo, passados alguns anos, nesta consagração os povos especialmente queridos à Mãe de Deus: os da Rússia.

Nos nossos tempos, (…) enquanto esta esperança encontra diversas dificuldades, enquanto o mundo contemporâneo ressente incessantemente a ameaça à paz. Devemos outra vez nos dirigirmos ao Espírito Santo, por meio do Coração da Mãe de Deus. Aquela a quem o Papa Paulo VI muitas vezes chamava “Mãe da Igreja”.

Precisamente no dia do Pentecostes (…) foi pronunciado o Ato de Consagração à Imaculada Mãe de Deus. O qual é testemunho do amor que a Igreja nutre por Maria, fixando o olhar n’Ela como figura da própria maternidade. Este ato é também testemunho de esperança, que, apesar de todas as ameaças, a quer anunciar a todos os povos: aqueles que mais o esperam, juntamente com aqueles, “cuja entrega a própria Mãe de Deus parece esperar de modo especial” (cf. Celebrazioni Commemorative… p. 29).

Um porvir maravilhoso

A Providência incessantemente nos chama a ler com perspicácia os “sinais dos tempos”. 

Os sinais dos tempos mandam-nos ler os planos divinos subindo até às palavras originais e mais antigas.

Não se encontram, porventura, entre estas palavras as do Livro do Gênesis (…): “Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça, ao tentares mordê-la no calcanhar” (Gn 3, 15)?

Os sinais dos tempos indicam que nos encontramos na órbita de uma grande luta entre o bem e o mal. Entre a afirmação e a negação de Deus, da Sua presença no mundo e da salvação que n’Ele tem o seu início e o seu fim.

 

Não nos indicam, porventura, estes sinais a Mulher? (…) E não deveremos, precisamente com Ela, enfrentar as inquietações de que o nosso tempo está cheio? Não deveremos, precisamente n’Ela, encontrar aquela fortaleza e aquela esperança que nascem do coração mesmo do Evangelho?

“Nada é impossível a Deus”! Reflitamos sobre o mistério da Imaculada Conceição.

Ouvindo a Palavra de Deus vivo, a qual nos fala do início do primeiro advento, vamos de encontro a tudo o que o tempo do homem e do mundo nos pode trazer. Vamos — unidos à Mulher por excelência, Maria.

 

(*) Fonte: São João Paulo II, Basílica de Santa Maria Maior, 8 de dezembro de 1981.


Espero que este artigo sobre a Imaculada Conceição lhe tenha feito bem espiritual! Tenha lhe aproximado mais de Nossa Mãe Santíssima, sem pecado concebida.

Siga-nos!

 

Se ainda não nos segue no Facebook ou no Instagram clique para nos seguir.